Fundamentos da Afeição

domingo, fevereiro 18, 2018

Vivemos num mundo pós moderno, que é sinônimo de desajustes e valores invertidos ou exterminados, onde pessoas amam objetos e usam pessoas. Quem não carregou/carrega alguma ferida aberta de relacionamentos regados de interesse, egocentrismo e falta de reciprocidade? Todos nós já enfrentamos algum tipo de situação onde nos sentimos lesados ou no prejuízo por não obter algum tipo de retorno ou ganho em um relacionamento.


Ainda me inserindo em uma nova comunidade, percebi o quanto é importante estarmos dispostos a nos relacionarmos e sermos intencionais em nossas conversas para obtermos relacionamentos sólidos e sóbrios, caso contrário, acabamos sozinhos e deixamos a oportunidade de compreender a largura, comprimento, altura e profundidade do amor de Deus junto com todos os santos (Ef 3:18) passar por nós muito rapidamente. Se engana quem acha que pode conhecê-Lo por si próprio apenas e não consegue enxergar as outras vertentes da essência do Amor Dele, através da obra que é feita (ou que pode ser feita), na vida das pessoas que estão ao nosso redor.

Uma vez que inseridos no corpo de Cristo, temos devemos ter em mente que nossos conceitos devem ser desconstruídos para que possamos deixar que Ele nos amolde segundo o padrão do Espírito. E isso reflete diretamente nos nossos relacionamentos com o próximo. O resultado não é imediato, como já era de se esperar - Deus trabalha com processos. E se temos nosso coração arrebatado por esse amor, a tendência é que dia após dia sejamos lapidados no nosso aspecto relacional.
Tudo deve convergir em Cristo e obter uma ótica a partir Dele, se nossas lentes não estiverem ajustadas é fácil desistir de manter uma amizade e/ou permirtir que alguém se faça conhecido por você.

Eu era e ainda sou (em certo nível) uma pessoa difícil de lidar, ainda me pego tendo atitudes egoístas, mimadas, tendo dificuldade de pedir ajuda por ainda achar que isso é sinônimo de fraqueza, e em adição a isso, não sou o tipo de pessoa permissiva para que outras pessoas saibam e conheçam minhas fraquezas e medos – em minha criação a busca era de sempre buscar atingir a perfeição e isso me deixou com medo de me expôr profundamente, para que eu não me tornasse vulnerável. Após longos processos de quebra, ainda estou descobrindo que felizmente o mundo não gira ao meu redor, e sim ao redor Dele e tenho que aprender a lidar quando as coisas não acontecem da forma como eu gostaria. Entendi que tudo bem pedir ajuda porque precisamos uns dos outros, entendi que tudo bem mostrar nossas vulnerabilidades porque isso é sinônimo de que você se conhece (ou está no processo) e quer mudar e que é quando me torno vulnerável que me torno corajosa para deixar que minha escuridão seja explorada a ponto de descobrir o poder que há na luz Dele.

O fato é que se deixarmos o medo de se expôr prevalecer e se nossos relacionamentos não estiverem convergentes Nele, nós vamos nos afastar, as pessoas vão se afastar porque não querem estar perto de uma pessoa que se comporta da maneira X ou Y, ou possui as falhas A ou B.
O amor de Deus deve nos bastar para que a gente se permita e também para que não nos tornemos dependentes emocionais das pessoas.
Eu sou uma pessoa real com falhas reais e no processo de aperfeiçoamento (Fp 1:6) e estou sujeita a decepcionar outras, assim como outras pessoas podem vir a me decepcionar eventualmente, caso meu coração não esteja no lugar certo e meus olhos não fixos Nele.

Nas minhas últimas crises percebi o quão fundamental é permitir que o amor de Cristo molde e torne as nossas amizades à semelhança Dele – Tenho uma amiga que é extremamente o oposto de mim - uma pessoa incrível e relacional, com cuidado genuíno pelo próximo – já enfrentamos muitas situações juntas, vivemos muitas histórias e descobertas em Cristo. Nos conhecemos quando nossas identidades e emoções estavam começando a ser transformadas e moldadas, caminhamos juntas e tudo acontecia simultaneamente ou sequencialmente. Durante nossa caminhada, entramos muito em choque com nossas personalidades fortes, manias ou modo de se expressar, mas tudo o que passamos juntas nos ensinou o que é essencial para mantermos nossa amizade viva e constante mesmo se estivermos distantes.

Foram em momentos de crise que precisei contar com uma palavra de exortação ou de esperança de alguém que me conhece, e melhor ainda, de alguém que consegue me enxergar com as lentes do amor de Cristo para poder entender as minhas crises e persistir numa amizade que aos olhos humanos poderia ser considerado totalmente improvável. E isso me ajudou diversas vezes a sair de lugares sombrios e me trazer de volta à luz da Vida.

Por muitas vezes, é desconfortável, é exaustante deixar a comodidade das nossas amizades já formadas e sólidas para investirmos tempo com novas pessoas que muitas vezes parecem não ter nada a ver com você, mas ao mesmo tempo é reconfortante saber que Ele estará me ensinando a ver a essência de cada um através dos olhos Dele e aprendendo a amar, se envolver com cada um da mesma forma que Ele se envolve com a história deles. Aprender a dedicar todas as nossas atitudes para Deus é o melhor que podemos fazer em qualquer tipo de relacionamento.
Nós não precisamos da aprovação do outro e tampouco precisamos aprovar, precisamos apenas buscar que o poder Dele aperfeiçoe a nós e nossas amizades conforme caminhamos juntos.


Nota: Ayla, obrigada amiga! Obrigada por ser quem você é e por se permitir correr a corrida junto com a pessoa mais miserável dessa vida – a.k.a eu. Já estou escrevendo esse texto saudosamente, com olhos cheios de lágrimas, mas com um coração alegre e grato por ter feito parte de processos únicos na sua vida e por poder observar você alçando voo num futuro muito breve. Meu desejo é que voe, e você irá, mas enquanto estiver aqui, permita-se ser lapidada mais um pouco por mim e por quem/o quê mais for preciso. Amo você.




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