2017: Quando um ciclo se encerra [Testemunho]

segunda-feira, janeiro 01, 2018

Esse ano foi um ano paralisante para mim. Não sei, mas tive a impressão que 2017 deixou marcas profundas em várias pessoas. Foi um ano de choro, tristeza e ranger de dentes. Um ano que quis desistir de tudo, mas também foi o ano onde mais vi o agir Dele. Um ano que caminhei às cegas e de muito aprendizado.
Eu que sempre fui muito ativa nas atividades ministeriais, comecei a ver tudo desaparecer das minhas mãos e a ser ensinada que o "fazer" não importa se a pessoa que estiver fazendo não estiver "se tornando" a imagem Dele. Apesar de muitos pensarem que o não "dar frutos" está totalmente ligado ao fato de algum tipo de pecado ou esfriamento espiritual, na verdade nem sempre é assim. As vezes, Deus precisa nos tirar de um ciclo e para isso, ele vai nos ensinar a fazer as escolhas certas para que isso ocorra e ainda que isso traga a dor, você sabe que é o melhor a ser feito naquele momento.
Precisamos ter sensibilidade para discernir os tempos. Tempo de estar em lugares e liderar pessoas. Tempo de fazer. Tempo de só ouvir. Discernir tempos. Sensivilidade para ouvir Deus pedindo aquilo que talvez você não quer entregar, mas que não é mais seu tempo de estar ali.
Infelizmente, todos nós sofremos com um fato em comum: buscar a aprovação de Deus através das nossas obras.
Okay, você pode dizer que "não", e eu também dizia que "não" e lembro também de dizer que tudo que eu fazia era apenas um reflexo da minha vida com Deus, mas quando, aos poucos, Deus foi tirando cada atividade ministerial que eu fazia, inclusive o Chamados para Fora eu percebi que, na verdade, era justamente o contrário. Eu buscava a Deus por causa das minhas atividades ministeriais. Uma coisa é positiva e óbvia: saber que não é pelas suas forças, mas quando você o busca apenas porque você tem uma obrigação com o seu ministério ou com seu devocional, nosso relacionamento com Ele é totalmente distorcido. E há uma linha muito tênue aí.

Em Maio/17, eu estava totalmente perdida, sem saber o que fazer - minhas orações eram totalmente direcionadas ao porquê Ele havia me deixado totalmente paralisada ministerialmente, e de tanto bater e desejar uma resposta Ele finalmente respondeu "Filha, agora vou te ensinar o que é me buscar por quem eu sou e não apenas para suportar suas atividades. Vou te ensinar a depender de mim e não dos seus cargos de liderança." E eu simplesmente entrei em choque, ali, parada, tentando raciocinar aonde foi que eu comecei a misturar todas as coisas para que chegássemos naquele ponto.

Essa resposta foi a divisão de águas do ano de 2017, graças a Deus, ao mesmo tempo que enfrentamos algum desafio, provação, Ele também nos mostra ma alternativa para tornar as coisas melhores (ou menos piores, no nosso conceito humano). Felizmente, naquela época tinha conhecido um amigo que me apresentou um monte de pessoas que me ajudaram a tornar as coisas mais claras para mim - tanto sobre quem Ele era, quanto sobre quem eu era. E, principalmente, sobre me tornar alguém que tem uma vida diante do Senhor e não apenas "ministérios ou movimentos", como se fosse algo de sumo-valor. E aos 26 anos, comecei a ter os olhos do meu coração iluminados para enxergar além da minha limitada visão.
"Peço que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o glorioso Pai, lhes dê espírito de sabedoria e de revelação, no pleno conhecimento dele.
Oro também para que os olhos do coração de vocês sejam iluminados, a fim de que vocês conheçam a esperança para a qual ele os chamou, as riquezas da gloriosa herança dele nos santos e a incomparável grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, conforme a atuação da sua poderosa força." — Efésios 1:17-19
E após algumas jornadas internas com Ele comecei a formar uma base mais sólida a respeito de quem Ele era e a partir daí redescobrir quem eu era. Foi um tempo de muito cuidado Dele, senti-o como aquele pai cerca um bebê que está começando a andar, tomando o cuidado para que ele não caia de algum degrau muito alto ou em alguma descida.
Logo após esse momento de calmaria, com uma base mais sólida começaram a vir os ventos fortes. E foi quando escrevi sobre isso aqui.

Naquela época, as coisas começaram a ficar bem complicadas, a pressão externa e a ansiedade que eu sentia de entender tudo começaram a me confundir. E após uma época, onde tudo (trabalho, mudança de casa, reformas, mudança de igreja) começou a mudar de posição em minha vida, entendi o porquê Ele quis que eu passasse por aquele momento de fortalecimento para que Ele pudesse dizer que o fim do ano estava chegando e que junto com isso, um ciclo se encerraria. Mas não era apenas um ciclo qualquer, eram todos os ciclos se encerrando para que um apenas se iniciasse. Era Ele me desestrutrando por inteiro, para que eu entendesse que as coisas não são tratadas separadamente (minha vida ministerial e a minha vida profisisonal e pessoal), mas que tudo se converge Nele. É incrível o que Ele faz para nos ensinar o caminho correto e como Ele nos prepara para cada etapa de nossas vidas.

Lamentavelmente, sou uma das piores pessoas para lidar com frustração, e muitas vezes, me pego agindo com uma menina mimada que quando não consegue o que quer, decide largar tudo e emburrar e me isolar. Eu estava em buscas de respostas e eu não conseguia nenhuma, conheci pessoas que poderiam me ajudar, viajei para outro estado, voltei e nada foi solucionado na minha mente. Me encontrava perdida, mais uma vez e no gelo constrangedor que só Ele consegue nos dar as vezes.
Minha vida estava voltando nos eixos – minha nova posição no trabalho, a reforma finalmente tinha chegado ao fim, minha mudança de igreja já estava acertada com meu amado pastor. E apesar do gelo para o que eu realmente buscava resposta, Ele nunca deixou de trabalhar em nenhuma das outras coisas que estavam acontecendo. Me ajudava a tomar as decisões corretas no momento certo e fazia questão de me mostrar que apesar do silêncio Ele estava comigo.

Quando me mudei para o apartamento no começo de Dezembro, eu sentia gratidão e amava saber que ia morar sozinha. Uma coisa, é estar sozinha em casa durante o dia, mas quando a noite chega... A noite tudo ficava escuro e silencioso e eu não consegui lidar com o medo de estar em um lugar sozinha. Minha cabeça cheia de pensamentos não me deixavam dormir. Comecei a ter uns surtos de ansiedade (não fui me diagnosticar com um médico e nem com o Google), mas eu não conseguia dormir e quando dormia, qualquer barulho, me fazia acordar desesperada, achando que estavam invadindo a casa, e novamente para dormir era um sofrimento. Nesse tempo que passei acordada, ao invés de fazer o que era certo, como ler, orar ou assistir netflix até dormir, comecei a deixar alguns pensamentos de dúvida e a minha carência me invadirem e me fazendo pensar sobre meu status de relacionamento, sobre minha identidade e futuro e comecei a criar uma distância entre mim e Deus.
Comecei a pensar em como estava cansada da minha vida, do fato de Deus não me responder, sobre algo estar errado comigo porque eu ainda estou solteira sendo que eu tenho a possibilidade de não estar. E isso, começou a entrar em meu coração, comecei a flertar com alguns conhecidos e querer voltar a me sentir desejada e isso tudo me levou a pensar em ter uma vida medíocre novamente. Abandonar os planos e as palavras que Ele me deu no decorrer da minha caminhada e apenas deixar que a vida fizesse a parte dela. Por mais surreal que a situação parecesse estar, eu ainda tentava colocar na balança se isso realmente valia a pena, afinal de contas, não nos esquecemos facilmente das experiências que temos com Ele. E assim foi minhas duas últimas semanas de 2017 – pensando em desistir de tudo, travando uma luta interna sobre o que fazer com minha vida e até mesmo, Deus.
Quase me esqueci que havia pago para ir em um retiro no final do ano, onde eu iria passar a virada – minha vontade era desistir, mas como eu paguei um valor considerável, decidi ir para não perder o dinheiro. Cheguei no retiro de braços cruzados e de guarda levantada para as coisas que aconteceriam lá e assim foi pelos primeiros 5 minutos do primeiro louvor que tocou - tentei resistir (orgulhosa que sou), mas bastou apenas 5 minutos pra Ele me desarmar por inteira, bastou 5 minutos para sentir meu coração aquecer de amor e alegria da forma que só Ele pode fazer e da forma que só quem já experienciou, sabe. E então ouvi a voz Dele, como aquele bom Pai que é "assim é bem melhor, não é? Deixa eu cuidar de você." E no decorrer dos dias, lá estava Ele continuar a quebrar as barreiras que tinha levantado dentro do meu coraçãoa e me fazer entender (mais uma vez) que o Reino não é de pessoas mimadas, mas de pessoas que perseveram ainda em meio aos sofrimentos. quando tudo dá errado, quando as coisas não estão caminhando como eu queria. Ele, novamente, me fez entender o que realmente é andar com Ele, reabasteceu meu coração com esperança para este novo ano e, mesmo sem necessidade e muito menos por merecer algo, me mostrou que a graça Dele me basta em toda e qualquer circunstância.

E assim, encerro esse ano de 2017, encerrando muitos ciclos e desimpedida e livre para começar ciclos novos que Ele me preparou para 2018.
Se nós não encerrarmos ciclos vamos estagnar e estagnar é retroceder. É tempo de avançar. Tempo do novo. Tempo de pisar sem ver o chão. Encerro esse ciclo com lágrimas nos olhos, mas com um sorriso sincero também. Eu estou feliz, ainda não consigo ter a imagem completa do quadro que Ele está pintando, mas eu digo sim. E direi "sim" todos os dias.
Não tenha medo do novo. Não precisa.
Não tenha medo de encerrar ciclos que duraram anos e de começar outros do zero.
Não segure o que não é mais seu. Discirna os tempos e abrace o processo!
Esses são meus votos de ano novo para vocês, amigos! Nos vemos!




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